quinta-feira, 14 de abril de 2016

Caminhadas à Chuva

Sejamos sinceros … Quantos de nós, em crianças, não gostavam de saltar as poças de água? Quantos de nós não olhavam a chuva e pensavam nas divertidas brincadeiras que podiam ter?
Talvez muitos de nós tenhamos tido esses pensamentos. Muitos de nós, certamente, terão andado à chuva e terão saltado poças. Quando pensei em escrever este texto, depressa percebi que ia ser diferente daquele que anteriormente publiquei. Não pretendo dar ideias para um dia diferente, mas sim para um olhar diferente de um dia.
Os dias de chuva (que ultimamente têm sido muitos) podem ser extremamente desagradáveis. Basta só acrescentar a estes dias um pouquinho de vento para depressa pensarmos nos chapéus-de-chuva que se voltaram subitamente, deixando-nos à mercê das gotas que por sua vez nos molharam até à raiz dos cabelos. Decerto que a reacção a esse acontecimento foi a de barafustar com a chuva, com o facto de estar na rua àquela hora, com a qualidade do chapéu-de-chuva, no trabalho que tivemos em escolher a roupa e a arranjar o cabelo … Enfim, o importante é que ninguém fica contente por ser abalroado por um ataque de vento e chuva!
Mas se, em vez de começarmos a reclamar com a chuva, com o vento, connosco e com o chapéu, pararmos e sentirmos a chuva cair-nos?
(Atenção para não se expor à chuva em demasia, pois há sempre o risco de ficar doente, nem se estiver a ir para o trabalho ou para algum encontro, dado que nesses casos lamentará o tempo que perdeu a arranjar-se e ficará seriamente preocupado com o facto de estar molhado e não poder trocar de roupa.)
Porque digo isto? Por um motivo muito simples. Quando paramos de tentar lutar contra uma coisa que foge do nosso controlo – isto porque não controlamos a chuva, o vento, ou a capacidade do nosso chapéu-de-chuva resistir à mistura dos dois – percebemos que outrora éramos proibidos de andar à chuva. Em segundos, viajamos até a uma altura da nossa vida em que o mundo era visto de uma forma simples e que tudo o que nos rodeava era encarado como um potencial objecto de brincadeira. Em segundos lembramo-nos de como era ser criança e com isso vem à tona aquele sentimento que nos fazia tanto querer andar à chuva. Sugiro, caso sinta isso, para deixar de lutar contra o vento que lhe retorce o chapéu e pare de reclamar com a chuva. Envolva-se pelo sentimento que aos poucos floresce e aproveite para, finalmente, estar à chuva. Sorria ou ria, mesmo, pela sua figura. E claro, assim que chegar a casa tire a roupa molhada e tome um banho quente!

Fica a sugestão: nos dias de chuva, se não puder mesmo ficar em casa, não se aborreça por sair; faça-o com aquele desejo infantil, que se encontra algures dentro de si, de andar à chuva! 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Uma Ideia ...

Gosta de Jardins? Gosta de Igrejas? Gosta de andar? Gosta de se perder? Gosta de Museus?
Se sim, talvez tenha uma boa ideia para si.
Trata-se de um percurso que talvez já conheça, mas que nem por isso deixa de ser interessante!
Comece por chegar ao Rato (de metro, autocarro, carro, bicicleta, a pé … deixo isso ao seu critério). Depois, suba pela Avenida Álvares Cabral (aconselho vivamente a levar água, umas bolachas e um bom calçado confortável) e chegue ao Jardim da Estrela. Aí, observe as várias espécies de árvores e plantas, tire umas fotografias mas, sobretudo, descanse! O que o espera assim o exige!
Depois de apreciar o Jardim da Estrela, pode, se assim o quiser, ir até à Basílica da Estrela (é só atravessar a estrada e vale bem a pena a visita). Este imponente monumento, mandado construir pela rainha D. Maria I em devoção ao Sagrado Coração de Jesus é um excelente exemplo arquitectónico; mas acima de tudo, é um belo local de oração e reflexão.
Após apreciar a Basílica da Estrela (por fora e por dentro), está na hora de se pôr a caminho do Museu de Arte Antiga por umas das zonas mais emblemáticas de Lisboa: a Lapa. O percurso que aqui sugiro é apenas um dos milhares que pode fazer. Honestamente, já nem eu me recordo exactamente do percurso que fiz; simplesmente fui. Sugiro, apesar deste percurso, que faça o mesmo: perca-se. Temos que admitir que quando nos perdemos acabamos sempre por encontrar coisas absolutamente fantásticas. Mas se não é adepto de se lançar ao desconhecido, então leve um mapa, um GPS ou um guia. De maneira nenhuma deve deixar de fazer este percurso!
Por fim, quando, tal como eu, der com um caminho que o leve até ao Museu de Arte Antiga (recordo-me de uma travessa amorosa com umas escadinhas), felicite o seu sentido de orientação e recorde todas as peripécias dessa “viagem”: lembre-se dos belos exemplares arquitectónicos que viu, das selfies que tirou, da companhia frequente do Tejo (existem locais com uma vista fantástica sobre o rio), ... Enfim, deixo isso ao seu critério! Museu de Arte Antiga, finalmente! Para começar, se neste momento se está a questionar se a entrada é paga, então devo desde já dizer que sim (consulte o site do Museu, pois lá estão descriminados os preços, horários, descontos e outras informações úteis). Mas vale muito a pena! Porquê, pergunta-se? Imagine-se a chegar ao terceiro piso e olhar para os Painéis de S. Vicente de Fora. Ora, apesar das muitas teorias sobre os mesmos, existe consenso de que os mesmos foram pintados por Nuno Gonçalves, por encomenda do rei D. Afonso V, O Africano, em pleno século XV. O que realmente representa? Também deixo ao seu critério; faça uma pequena pesquisa, se assim lhe interessar, e vai descobrir que existem milhentas opiniões sobre o assunto. Escolha aquela que lhe faz mais sentido. Mas fora isso, tente-se imaginar no meio daquelas pessoas todas e viaje, ainda que por escassos segundos, até à altura dos Descobrimentos. Ou então pode olhar simplesmente para todas aquelas pessoas e pensar que estão ali à sua frente. Uma sugestão: o que lhes perguntaria se elas estivessem mesmo ali?
Mas os painéis são apenas uma das muitas obras absolutamente incríveis que ali se encontram. Podia falar de muitas que ficaram gravadas na memória, mas aí tiraria a magia que existe neste tipo de sítios e que se prende precisamente com a descoberta que fazemos, obra atrás de obra, corredor atrás de corredor, piso atrás de piso, de tudo o que lá existe. Mas essa descoberta é feita por cada um de nós e apenas a nós faz sentido.
E assim termina uma sugestão talvez diferente, mas certamente divertida. Espero que, se escolher este percurso, o faça com um sentido de aventura e descoberta pois apesar de ser importante chegar ao destino, o melhor de tudo é o caminho!

Divirta-se! ;)



Imagem retirada de: https://www.google.pt/maps/dir/Jardim+da+Estrela,+Pra%C3%A7a+da+Estrela,+1200-667+Lisboa/Museu+Nacional+de+Arte+Antiga,+Rua+das+Janelas+Verdes,+1249-017+Lisboa/@38.7101474,-9.1694336,15z/data
=!4m34!4m33!1m25!1m1!1s0xd193363534236ab:0x2bd79101bf03e891!2m2!1d-9.1590786!2d38.7147151!3m4!1m2!1d-9.1596224!2d38.713123!3s0xd1933625fc992d9:0xd17daf92e99d1ada!3m4!1m2!1d-9.1649184!2d38.7073233!3s0xd19349f21385cb5:0x2149ebeaed21d313!3m4!1m2!1d-9.1631437
!2d38.7058662!3s0xd1934992fcb087d:0xc042f6d2e4d9a588!3m4!1m2!1d-9.161607!2d38.7049661!3s0xd19349bc2d3c57b:0x8cb2deb7b2262a5e!1m5!1m1!1s0xd193499628e7b19:0xc932f1ff3fad2b24!2m2!1d-9.1614643!2d38.7048412!3e2